O novo documentário do Manchester City, The Beautiful Obsession, estreia esta quarta-feira na Prime Video. Como revelou o The Athletic, a série documental de quatro partes levanta o véu sobre histórias dos bastidores das duas últimas temporadas de Pep Guardiola no Manchester City, incluindo o anúncio do seu divórcio no balneário, um confronto aceso com Kyle Walker, uma troca de gritos furiosa com Erling Haaland e a frustração da direção com as suas decisões de rotação do plantel.
O impacto do divórcio em Guardiola

Ao longo dos primeiros e segundos episódios, a separação de Guardiola da mulher é referida várias vezes no balneário, assim como o inevitável impacto que teve nele. No segundo episódio, Manel Estiarte, homem da sua máxima confiança, revela que um dia pediu aos jogadores que tivessem mais consideração pelo treinador.
“Nunca entro no balneário para falar com os jogadores — só uma vez”, disse. “Eles estavam preocupados porque o Pep estava tenso, triste, diferente, e só eu sabia porquê. Disse à equipa: 'O que vocês estão a ver é um ser humano que está a passar por um divórcio.'”
O próprio Guardiola deu a notícia ao plantel após a derrota frente à Juventus — a sétima derrota numa série de dez jogos sem vencer na época 2024/25 —, desabando em lágrimas diante dos seus jogadores: “Malta, quero confessar uma coisa. Estou a divorciar-me da mulher mais bonita deste planeta, a minha mulher, a minha ex-mulher. Amo-a muito, mas perdemos a paixão. Amo-a? Sim, absolutamente. Ela ama-me? Sim, mas perdemos a paixão.”
Confronto com Kyle Walker

O primeiro episódio mostra um confronto aceso entre Guardiola e Kyle Walker no balneário de Anfield. Guardiola estava a apontar os jogadores que deveriam ter feito melhor em momentos específicos, criticando Walker por ter perdido a bola.
Walker ripostou: “Mencionas o meu nome em todas as reuniões e em tudo. Em todas as reuniões, é sempre o meu nome.”
Guardiola respondeu: “Talvez porque és o capitão.”
“Tu não queres que eu seja o capitão”, disse Walker. “Reagi a outra pessoa, perdi a bola e, de alguma forma, voltas a meter o meu nome nisto.”
Com lágrimas nos olhos, Guardiola expôs então os seus pensamentos à equipa — cerca de duas semanas antes de lhes contar o divórcio, após o jogo em Turim: “Isto é a minha falha. Se eu sou o problema, têm de me dizer. Não vou ficar só por dinheiro ou só para estar aqui; não quero sentir que tenho de fugir de vocês. Se eu sou o problema, digam-mo. Isso não vai mudar o meu amor por vocês, nem por um segundo.”
Desabafo após a derrota em Leverkusen

Ao longo da série, há imagens que mostram como Guardiola se tortura a si próprio. Depois de uma derrota na Liga dos Campeões, na fase de liga, frente ao Paris Saint-Germain, explicou que não queria comer, beber nem dormir.
Noutro momento, Estiarte e Lijnders explicam o quanto o treinador se culpou por ter deixado jogadores de fora, após a derrota caseira por 0-2 na época passada frente ao Bayer Leverkusen, num jogo em que apresentou um onze muito rodado.
“Talvez devesse pedir desculpa por fazer 10 alterações”, disse à equipa. “É impossível jogar futebol sem coragem, mas vamos lá, malta. Todos têm de mostrar: 'Sou o melhor e vou provar a este treinador de merda que sou melhor do que qualquer outra pessoa.'”
“Sinto-me idiota. Chego aqui às 8 da manhã, fico aqui durante horas a tentar encontrar alguma coisa que vos toque no coração. Quero transmitir que amo o meu trabalho, quero passar isso para vocês, e vocês não me dão nada de volta, malta. Sabem o que vai acontecer? Vão ter outro treinador.”
Reprimenda a Haaland

No terceiro episódio, Guardiola dá um raspanete a Erling Haaland ao intervalo da final da Taça de Inglaterra.
“Estás cansado?”, gritou. Haaland disse que não. “Porque é que não estás a lutar numa final da mesma forma que lutaste contra o Saliba e os outros? Se estás cansado, diz-mo já. Meti seis jogadores no banco. Sinto vergonha de deixar seis jogadores no banco. Onde está a tua qualidade? As desmarcações nas costas? A área? Vai!”
“Amo-te na mesma, Erling, como um pai, amo-te aconteça o que acontecer. Mas isto não tem a ver com isso. Mais nada. Mostra-me que queres ganhar.”
Antes e depois da sua saída

Guardiola tinha inicialmente planeado fazer uma conferência de imprensa para anunciar a sua saída, mas Ferran Soriano disse-lhe que os meios de comunicação externos não deviam ser os primeiros a saber.
O episódio final revela que só informou os jogadores da sua saída dois dias antes do último jogo da época. Ainda depois da penúltima partida — quando os rumores já tinham sido divulgados e o Manchester City empatou com o Bournemouth, entregando o título ao Arsenal —, não disse nada.
“Não me perguntem as razões para sair”, disse num vídeo mostrado à equipa. “Não há razão, mas no fundo sei que é o momento certo.”
Algumas semanas depois do fim da época, foi entrevistado em Barcelona. “Ganhar dá-te a oportunidade de renovar contratos, dá-te trabalho, mas não é o produto final da tua felicidade”, disse ao realizador da série, Kevin Macdonald.




