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IFAB esclarece que regra de erro de identidade não pode ser usada para simulação: Breel Embolo não deveria ter recebido o segundo cartão amarelo

Vincenzo Golazzo

Segundo reportagens do The Athletic, o organismo mundial responsável pela elaboração das regras do futebol afirmou que, embora a disposição tenha sido utilizada dessa forma durante o Mundial, a cláusula de "erro de identidade" não deve ser aplicada para julgar atos de simulação.

Contexto e explicação da regra de erro de identidade

Ao abrigo do protocolo VAR definido pelo Conselho Internacional das Associações de Futebol (IFAB), esta cláusula aplica-se apenas para confirmar a identidade do jogador que cometeu uma infração quando o árbitro mostra um cartão amarelo ou vermelho ao Jogador B em vez do Jogador A que cometeu a falta. Não pode ser usada para rever ou alterar a natureza da infração original — por exemplo, não é permitido transformar diretamente uma decisão de "falta do adversário" numa decisão de "simulação por parte do jogador atacante".

O IFAB, a organização responsável por redigir as Leis do Jogo, esclareceu que a regra de erro de identidade existe apenas para identificar qual jogador cometeu a infração; não pode ser utilizada para reavaliar ou rever o tipo de infração em si, como reclassificar um incidente como simulação. O organismo acrescentou que a aplicação futura da cláusula dependerá de uma revisão abrangente dos protocolos VAR usados ao longo do Mundial.

Ao abrigo desta orientação atualizada, Breel Embolo nunca deveria ter recebido um segundo cartão amarelo e a consequente expulsão durante o quarto de final do Mundial entre Suíça e Argentina.

Um conjunto de novas regras foi introduzido para este Mundial coorganizado pelos Estados Unidos, Canadá e México, concedendo aos Árbitros Assistentes de Vídeo poderes de intervenção alargados, incluindo autoridade para intervir em casos de erro de identidade quando são mostrados cartões amarelos ou vermelhos.

De acordo com as diretrizes pré-torneio do IFAB, os oficiais VAR com acesso independente às imagens podem auxiliar o árbitro em campo quando ocorre um "erro claro e óbvio" ou um "incidente grave não assinalado" — especificamente quando uma sanção disciplinar é aplicada ao jogador errado.

No entanto, isto criou confusão sobre os limites precisos da regra e se o seu âmbito poderia ser alargado para cobrir simulação e permitir a reclassificação de tipos de infração.

A primeira ocorrência desta interpretação contestada surgiu no jogo da fase de grupos entre os Estados Unidos e Paraguai. O árbitro Danny Makkelie considerou inicialmente que o defesa dos EUA Tim Ream tinha cometido falta sobre o avançado paraguaio Miguel Almirón e mostrou-lhe um cartão amarelo. A conselho do oficial VAR Carlos del Cerro Grande, ao abrigo do quadro de erro de identidade, o árbitro reviu o incidente, anulou a punição original — já que Ream não tinha tocado em Almirón — e em vez disso advertiu Almirón por simulação.

Mistaken identity' does not include simulation despite World Cup decisions  – lawmaker - The Athletic

Uma segunda aplicação, muito mais polémica, ocorreu no quarto de final entre Argentina e Suíça. Embolo teve inicialmente assinalado um livre a seu favor, e Leandro Paredes, da Argentina, recebeu um cartão amarelo pelo lance. O VAR voltou a recomendar uma revisão, alegando que Paredes não teve contacto com Embolo. Após inspeção das imagens, Embolo foi considerado ter mergulhado para enganar os árbitros, recebendo um segundo cartão amarelo que resultou na sua expulsão, enquanto o cartão de Paredes foi retirado.

A decisão revelou-se um ponto de viragem na partida. A Suíça tinha empatado para 1-1 apenas cinco minutos antes, e a Argentina acabou por vencer os suíços por 3-1 após prolongamento.

Why Breel Embolo's World Cup Red Card Was the Right Decision

Numa circular divulgada na segunda-feira, o IFAB esclareceu o protocolo VAR para erro de identidade, confirmando que as classificações de infrações originais não podem ser anuladas — citando os casos de Almirón e Embolo a receber cartões amarelos retrospectivos por simulação como exemplos. A regra só pode ser invocada quando o árbitro sancionou o jogador incorreto na sua decisão inicial.

Embora o IFAB reconheça que este uso inovador do erro de identidade para punir simulação tenha sido bem recebido durante o torneio, emitiu orientação formal:

“Um cartão amarelo que não seja uma segunda advertência só pode ser revisto para identificar o jogador que cometeu a infração sancionada; a infração em si não pode ser revista nem alterada.”

“A utilização da cláusula de erro de identidade para lidar com simulação durante a FIFA World Cup 2026 foi bem acolhida e fará parte da revisão detalhada do protocolo VAR anunciada na Circular n.º 32. No entanto, esta prática não deve ser repetida até à conclusão dessa revisão.”

Nos incidentes de Almirón e Embolo no Mundial, a recomendação do VAR alterou o veredito inicial do árbitro de "falta" para "simulação". Isto constitui uma reavaliação de uma infração subjetiva distinta, um procedimento que exige que o árbitro em campo realize uma revisão junto ao monitor de campo.